Vítima
de homofobia há um ano pede fim do preconceito e sonha com Londres.
Michael, do Vôlei Futuro, relembra com
tristeza últimos episódios de preconceito.
Michael
ressalta qualidade dos centrais no Brasil - Alessandro Iwata/Ideale
Comunicação - 30/9/2011.
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Um ano
após viver o pior momento da sua carreira, Michael lamenta sucessivos episódios
de preconceito no vôlei brasileiro. O central do Vôlei Futuro diz que não mudou
muita coisa desde que foi vítima de homofobia em quadra e lembra com tristeza o
recente caso de racismo pelo qual passou seu amigo Wallace, oposto do Sada
Cruzeiro. Semifinalista da Superliga, o hoje homossexual assumido diz que não
dá bola para as provocações de torcida e só pensa em fazer o seu trabalho para
quem sabe defender a seleção brasileira em Londres 2012.
O Vôlei
Futuro enfrenta o RJX nesta terça-feira, a partir das 18h45, no ginásio Plácido
Rocha, em Araçatuba. Na outra semifinal, o Sada Cruzeiro tem pela frente o
clássico contra o Vivo Minas. Os dois confrontos serão válidos pela primeira
partida da série melhor de três das semifinais.
- O
preconceito em quadra ainda continua, o que mudou é que agora as pessoas pensam
duas vezes antes de falar qualquer coisa. Fiquei bastante sentido até porque
não esperava que fosse acontecer tudo aquilo. E também não esperava toda aquela
repercussão. Foi uma coisa que me deixou muito assustado, em uma semifinal de
um jogo importante.
Adversário
naquela ocasião, o Sada Cruzeiro foi multado em R$ 50 mil pelo Superior
Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) pelo caso de homofobia. Mas no começo
deste ano, o feitiço da torcida virou contra o feiticeiro e o próprio time
mineiro viu Wallace ser chamado de “macaco”, em partida contra o mesmo Vivo
Minas, agora adversário da semifinal.
Assim que ficou sabendo do
racismo, Michael se solidarizou com a situação e tratou de mandar apoio ao
jogador. Mais do que isso, o Vôlei Futuro jogou uma partida da Superliga com
uma mensagem contra o preconceito – com o central, cobriu o ginásio com as
cores do arco-íris, símbolo do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais,
Travestis e Transexuais) e emocionou o central. Ele garante que não teve -
Minha meta nunca foi falar sobre homossexualidade ou racismo, mas para defender
uma causa, a gente tem de falar sobre isso. Conheço o Wallace, joguei com o
Wallace, que é um menino tão querido. Conheço a família dele e sei que ele se
esforçou muito para chegar onde está. Tenho ideia de como ele deve ter ficado
no ginásio. No esporte em geral não cabe mais nenhum tipo de preconceito, racismo
ou qualquer outra forma de hostilizar o atleta. A gente tem de parar de rotular
a pessoa e analisar o atleta.
Oportunidade em Londres
Semifinalista
da Superliga, Michael não esconde o sonho de defender o Brasil nos Jogos
Olímpicos. O central segue fazendo o seu trabalho, fora dos rótulos de antes, e
espera por uma oportunidade no time de Bernardinho. Mas o jogador sabe que terá
de lidar com as fortes concorrências, inclusive, do companheiro de time Vini.
- É
sempre o grande sonho do atleta participar de uma seleção, ainda mais em
Olimpíada. A seleção tem centrais fortíssimos e que vêm de muito tempo de
seleção. É lógico que a gente faz o nosso trabalho. Mas o Brasil hoje está
muito bem servido de atletas. Até chegar lá tem de disputar com muitos centrais.
Afinal, o melhor campeonato de vôlei está aqui.
Também
companheiro de Ricardinho, o central até evita comentar, mas deixa no ar o
desejo de ver o levantador novamente com a camisa da seleção brasileira. Para
ele, o levantador de 36 anos poderia contribuir e muito nos Jogos Olímpicos.
A Rede
Record mostrará a Olimpíada de Londres 2012 com exclusividade na TV aberta
brasileira, e também pela internet, por meio do R7. A Record detém ainda os
direitos de transmissão dos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015 e da Olimpíada
do Rio de Janeiro 2016.
Fonte: R7
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